Sob a lua minguante: o recolhimento necessário à vida no (meu) trabalho
- DaianA Maciel

- 21 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de dez. de 2024
Trabalho por ciclos e a minguante é o período que defini para descansar. Ela me convida a quietude, a respirar profundamente e a me reconectar com o pulsar mais íntimo da existência. Me recolher do trabalho nesse momento é um ato de respeito aos processos criativos e a eucorpo. Tudo que é Natureza precisa de repouso para florescer novamente, por isso nós necessitamos de tempo para nos renovar.
Tudo que é Natureza precisa de repouso para florescer novamente, por isso nós necessitamos de tempo para nos renovar.
Estou sempre me dispondo a criar algo novo e o recolhimento é também um gesto de generosidade com quem busca o meu trabalho. É garantir que cada traço, cada composição e cada detalhe que entrego esteja repleto de presença e autenticidade. Me proponho a criar para outra pessoa quando posso honrar o que nutre os encontros, a criatividade e a fruição.
Escolher um tempo incomum para recolhimento é desafiador e é um ato de coragem. Em um mundo que supervaloriza a produtividade incessante, decidir pausar o trabalho, baseando-me na Natureza, é reafirmar que o que faço não é mecânico, mas um processo vivo e pulsante. É um compromisso com a qualidade de tecer relações, com o respeito à saúde e ao tempo que cada ciclo da vida pede. Sob a lua minguante, eu escolho me reencontrar para que possa retornar com segurança e afeto para acolher cada nova pessoa e história que chega até mim.
Por que trabalhar por ciclos?
Desde que trouxe a terserTão ao mundo, uma das perguntas que me guia é: como posso cultivar um ritmo de trabalho que respeite a saúde e fortaleça os processos criativos? A minha forma de encontrar respostas é unindo experimentações, sensações e escuta. A partir disso, os ciclos lunares se tornaram minha referência de Tempo.
Como posso cultivar um ritmo de trabalho que respeite a saúde e fortaleça os processos criativos?
No começo, eu seguia uma escala de trabalho conhecida. Porém, me gerou diversos incômodos, culpas e adoecimentos. Foram uns três meses nesse modo de funcionamento até estabelecer que eu não conseguiria sustentar. Durante esse período, também fiquei olhando para outros modelos de trabalho e conversando com pessoas próximas que viviam profissões diferentes com regimes diversos. Houve algo que prevaleceu: descontentamento, especialmente nas vozes que escutei. Parecia que a saúde passava um tanto longe até de quem estava na área da saúde.
Escutando, pesquisando, escrevendo e sentindo conclui que era com a Natureza que eu gostaria de seguir. Desde a infância, o sol e a lua marcavam os acontecimentos do dia e guiavam "a hora da escola" e "a hora de plantar". Cresci aprendendo a saudar e escutar o que a Terra nos oferece. E já adulta participei de grupos de mulheres que tocavam no assunto da ciclicidade tendo a lua como guia e modo de autoobservação. Com tudo isso, cheguei nessa forma, que quem acompanha meu trabalho de perto e/ou já realizou um pedido de criação já conhece:
A terserTão fica aberta durante os períodos das luas: nova, crescente e cheia. Nesse tempo, funciona de domingo a domingo, mas os atendimentos ocorrem em dias diferentes. Na lua minguante fica fechada, portanto é um período em que não aceito pedidos e não mantenho contato acerca de trabalho. Exceções são notificadas.
Foi percebendo como eucorpo comunico ciclicamente minhas disponibilidades criativas que decidi experimentar trabalhar em ciclos. Organizo minhas ações por cada lua e em outro texto contarei melhor sobre esse processo que é mais complexo do que parece. Inclusive, poderei contar sobre como a lua de recolhimento pode acabar mudando.
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Para aprofundar, leia A vida não é útil de Ailton Krenak

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