Raízes perdidas: o Flamboyant não diz mais sobre o povoado
- DaianA Maciel

- 13 de dez. de 2024
- 1 min de leitura

Eu vivia dizendo: "um dia vou ser uma senhorinha que saberá contar a história de um lugar". Porém, não digo mais. Percebi que, agora, já sou uma mulher capaz de contar a história de um lugar, ou seja, não preciso esperar reunir incontáveis momentos para anunciar as transformações que acontecem no povoado onde moro.
Hoje, notei algo triste: o Flamboyant foi arrancado. Era uma Árvore majestosa que anunciava, como nenhuma outra, as mudanças de estação no povoado. Além disso, era um ponto de referência, pois, no ônibus sempre havia alguém dizendo "para ali, naquela árvore, por favor". Sim, acredite! Na dinâmica de um lugar no interior do Brasil, é possível uma árvore marcar toda uma localização, e não tem mapa que supere a beleza disso!
Flamboyant falava do Tempo e do espaço e era testemunha dessa terra mesmo antes das pessoas chegarem. Agora, ele não existe mais. E para quem tenta imaginar uma justificativa, saiba: não será construída nenhuma casa ou outra edificação qualquer. A que destino ele foi levado, ainda não sei. Mas já está claro que estamos perdendo nossas raízes e que não sabemos crescer respeitando o que é diferente de nós e o que nos torna diferente. O povoado está deixando de ser povoado e está no ritmo absurdo do verbo de qualquer outro lugar: desenvolver.... ao invés de crescer.

Para compreender melhor e ampliar esse assunto, leia "A vida não é útil" de Ailton Krenak.
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